Musicastro
28jun/090

Native Instruments Reaktor 5

Um dos melhores softwares para música que eu já vi, o trunfo dele é que você pode criar instrumentos, efeitos e interfaces dentro dele (E usá-los como VST's), de uma forma muito similar a os sintetizadores modulares, você coloca um módulo, liga ele em outro, depois em outro e assim sucessivamente, ate que você obtenha o que você quer. (Há uma versão do Reaktor disponível na seção de Downloads)

É um pouco difícil aprender a mexer nele no começo, porque é necessário um pouco de conhecimento de MIDI e até mesmo de física, caso você queria se aprofundar mais e fazer instrumentos e efeitos cada vez melhores. De qualquer forma, você pode fazer pequenos utilitários simples que ajudam tanto na produção quanto na exibição e que não necessitam de conhecimento absurdo para pleno funcionamento.

Eu já fiz um pequeno utilitário bem interessante com ele, nesse utilitário eu usei o meu PCR-M1 que tem 8 Knobs finitos. No PCR-M1, apertando a tecla Shift (Verde), os knobs passam a enviar outras mensagens (Isso já é uma função embutida no teclado) então começei a pensar em como refazer esta função utilizando todo o teclado, começei a mexer no Reaktor e consegui fazer a mesma coisa do botão shift, mas agora eu usava as teclas dele como botões shift. Então quando eu mexia os knobs, ele enviava as mensagens CC#1 a CC#8, quando apertava o Shift ele eviava CC#9 a CC#16, quando apertava o Dó, ele enviava CC#17 a CC#24 e quando apertava o Ré ele enviava CC#25 á CC32.

Neste post eu mostrarei como fazer um sintetizador bem simples, o exemplo serve para iniciantes e até para quem fez alguns exemplos do manual e não entendeu muito bem pra que servem alguns componentes MIDI.

  • Instale o Reaktor e na hora da instalação, certifique-se de que instalou também a versão standalone (É bem mais prático fazer as Ensembles no modo Standalone)
  • Quando você abrir o Standalone, aparecerão várias janelinhas (Isso se você tiver acabado de instalar, se você tinha instalado antes e fechou algumas delas, então o programa só vai abrir as janelas que você deixou abertas) então você pode fechar todas, menos a janela Panel e Ensemble – Structure (Ou se tiver fechado alguma delas, você pode ir no menu View e abrí-las).
  • Você pode fazer o que quiser para otimizar a sua área de trabalho no Reaktor, pode maximizar alguma das janelas ou colocar uma ao lado da outra, isso fica a seu critério.
  • Note a estrutura da janela Ensemble:

Ensemble

  • Audio In é uma entrada de áudio virtual do Reaktor, ela vai obter áudio do seu dispositivo de áudio (Desde que configurado corretamente). Audio Out é a saída de áudio, é o resultado do áudio depois de processado pelo Reaktor, Master é uma pequena seção de controles que define a afinação do instrumento e o volume, e instrument é onde contruiremos o nosso instrumento.
  • O Reaktor é um programa de níveis, isto é, os instrumentos são organizados dentro de blocos, que são organizados dentro de outros blocos, isto ajuda na organização e também separa alguns dispositivos do Reaktor por hierarquia.
  • Agora é a hora de entender o parágrafo anterior na prática, dê dois cliques no Instrument.
  • Você entrou um nível dentro do Ensemble, Provavelmente você estará vendo um L e um R do lado esquerdo e outros no lado direito, no lado direito também tem alguns blocos chamados “}” que são conversores de sinal (Coisa que não é pra ser entendida agora).
  • Para voltar ao nível superior, dê duplo clique em qualquer parte vazia.
  • Agora, de volta ao interior do instrumento, clique com o botão direito, aparecerá uma lista de dispositivos que podem ser inseridos, é nesse lista que você irá buscar os dispositivos para sua ensemble.
  • Agora vá até o menu, e adicione um componente chamado Note Pitch (Localização: Built In Module> MIDI In> Note Pitch) e adicione um Gate (Localização: Built In Module> MIDI In> Gate)
  • Os dois módulos são detectores, Note Pitch detecta qual a nota você está pressionando, é ele que diferencia um Ré no meio do teclado e um Lá no Final, o Gate detecta quando você pressiona e solta a tecla, acho que aqui você já deve estar entendendo a importância deles.
  • Agora adicione um ADSR (Localização: Built-In Module> LFO, Envelope> ADSR). Você já deve ter notado os vários pontos que existem em cada módulo, é nesses pontos que as conexões são feitas, clique e arraste o ponto do Gate ao ponto G do ADSR.
  • O ADSR é um componente comumente descrito como Envelope, o Envelope é o módulo que descreve como o som se comporta, A vem de Attack (Ataque), que é a velocidade que o som demora para chegar ao seu topo ou ponto de maior intensidade, D vem de Decay (Queda) e é o tempo que o som demora para cair (Com a tecla pressionada ou não), S vem de Sustain (Sustentação) este parâmetro descreve o volume o qual o som permanecerá depois de ter atingido o ponto de ataque e caído, ou seja, depois que o tempo de decay for terminado, e vem de Release (Liberação) e é o tempo para você liberar geral…(Link do You Tube aí, ó!) Digo… o tempo que o o som demora pra chegar ao silêncio depois que a tecla (Nota) for solta, caso ela tenha Sustain. É um pouco difícil de entender no começo, mas depois de um tempo programando os presets você aprende.
  • Agora uma função que será bastante usada quando você for construir ensembles: clique com o botão direito do mouse em A e então clique em Create Control, repita estes passos em D, S e R.
  • Note o que aconteceu na Janela Panel:

1

  • Agora clique no botão que está destacado em rosa:

2

  • Pronto, agora você destravou o painel e ele está pronto para edição, arraste os botões para onde quiser, de preferência, siga o layout a seguir:

3

  • Depois é só clicar no botão que eu marquei de rosa na figura anterior. (Algumas vezes, este botão não aparece, então se isso acontecer, basta clicar dentro do painel e clicar em “Lock Panel” no menu que aparece, o mesmo pode ser feito de forma contrária, se você clicar no painel travado e clicar em Unlock Panel, o painel será destravado para edição.
  • Agora vamos voltar para a janela de edição do instrument, note que aqueles controles que você editou e moveu para outro lugar correspondem àqueles dispositivos que você colocou no A, D, S e R.
  • Agora vamos adicionar um oscilador ao nosso instrumento, o oscilador é o que produz o som e, várias outras coisas dentro do Reaktor (O que realmente interessa agora é o som), adicione um oscilador triangular (Localização: Built In Module> Oscilator> Triangle).
  • Ligue a saída do Envelope (Out) à entrada (A) do Oscilador e a Saída do Note Pitch á entrada restante do oscilador (P). A Entrada A do Oscilador corresponde à palavra Amp, que são basicamente informações de comportamento sonoro, e a entrada P faz com que ele receba informação sobre qual nota ele deve reproduzir.
  • Agora você já pode ir apertando as teclas do teclado para ouvir o sintetizador funcionando (Só funciona se a janela do Reaktor estiver selecionada), QWERTY vai ser Dó, Ré, Mi e as outras notas da oitava central, 2, 3, 5, 6, 7 vão ser Dó#, Ré#, Fá# e as outras notas da escala central, o mesmo para ZXCVB e SDGHJ.
  • O layout final deve ser este:

6

  • Sabe aquelas entradinhas R e L do canto esquerdo que ficaram sem conexão? Pode selecionar as duas e deletar, elas só servem caso você vá fazer alguma coisa pra processar áudio, neste caso estamos gerando áudio.

Lembre-se de salvar o arquivo, nós ainda iremos modificá-lo em outros tutoriais.

Por enquanto é isso, até a próxima!

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26jun/090

Considerações para Compra/Uso de Equipamentos e Programas

Venho a escrever algo que é realmente útil para iniciantes de produção musical, foi algo que aconteceu comigo e que acontece com várias e várias pessoas que estão se iniciando na música.

Nos primeiros anos que nós pensamos em produzir, somos recheados de espectativas criadas pelas empresas de vendas de software e hardware, o iniciante então sente desejo de comprar o que vê pela frente, baseando-se apenas em análises passionais feitas com observação de sites e vídeos. É necessário uma rígida escolha de equipamentos, até porque a verdade sobre eles é que eles não ajudam tanto quanto nós pensamos, se você é um tecladista profissional e toca a mais de 10 anos, então um teclado MIDI irá ajudar muito caso contrário servirá apenas de brinquedo onde você ficará apertando algumas teclas para obter determinadas reações que não impressionarão nem um chimpazé amestrado, fora que tentar se apresentar com esses “apertos de teclas” é certeza de sujar seu nome e cair lá no Dead Act e passar a vida inteira sendo motivo de piada¹.

Para você que está começando, a primeira coisa boa a se fazer é procurar uma escola de música e aprender a tocar algum instrumento, quando observar os produtos para música, observe sempre com crítica e não com paixão, mesmo o mais interessante dos sistemas acaba não servindo pra nada e no fim você terá que aprender Reaktor, Max, Bome MIDI Translator ou algum outro programa que crie um protocolo de comunicação para a interface que você usa e o computador, para assim conseguir algo interessante, caso contrário, será desperdício de dinheiro e você só terá um monte de tralhas inúteis em casa.²

RGB

  • Mitos:

Mito do Analógico:

É bem comum escutar dizer que analógico é melhor porque o som esquenta e que o som dos plugins não é a mesma coisa (Se música seguisse esse padrão de ter que ser a mesma coisa, ainda estariamos fazendo músicas com os intrumentos mais primitivos que criamos, e todos seriam fadados a apenas um estilo de música, não é mesmo?) Outra coisa que vale lembrar é que os analógicos da vida geralmente custam 300 vezes mais, você pega um plugin por 50 dólares ou até mesmo pega um freeware legal e, claro, você também pode pegar aquele maravilhoso Virus por mais de 5 mil reais! Inteligente, não?

Além de tudo, os analógicos da vida não tem o mesmo potencial de um sequenciador, dá pra fazer uma música inteira com um notebook, um sequênciador e uns plugins e olhe que os mesmos não ocupam quase nada de espaço, agora tenta ir comprando os sintetizadores hardware analógicos pra ver como vai ser fácil de transportar!

No mito do analógico, a idéia do que é a música é completamente esquecida, e música é apenas o arranjo de sons e silêncios organizados em torno de uma linha de tempo e não o arranjo de sons e silêncios feitos por dispositivos de eletrônica analógica organizados em torno de uma linha de tempo.

Analógico

Mito dos Monitores de Áudio:

Todos pensam que ter monitores de áudio é sinônimo de fazer uma música boa, bem mixada e masterizada e com aquele arranjo supimpa porque os monitores representam o áudio de forma bastante fiel (Pelo menos alguns modelos). É, é verdade que os monitores representam o áudio perfeitamente, mas o problema não está no fato de eles representarem o áudio dessa forma, o problema está no fato de você não conseguir interpretar esse áudio perfeito e tirar bom proveito dos mágicos monitores, geralmente os produtores iniciantes erram em algum excesso, seja excesso de graves, agudos ou médios, onde o de graves é mas fácil de ocorrer.

Eu até me lembro de uma conversa que eu tive com um professor de guitarra, eu levei as musicas na casa dele pra ele ouvir, aí ele ligou no som dele, então não dava pra entender nada da música devido ao excesso de graves, então eu disse:

-Essa música fica perfeita lá em casa, nos monitores elas soam perfeitas!

Aí ele disse:

-É justamente esse o erro, seus ouvintes não vão ter monitores de áudio em casa, eles provavelmente terão sistemas de som simples e você terá que projetar músicas que funcionem tanto nos seus monitores quando nos sistemas de som da maioria.

Essa também é a recomendação da maior parte dos livros de mixagem que eu li, um costume que os engenheiros de mixagem tem é de ouvir as músicas no maior número de lugares possível, no som do carro, Mp3 Player, Home-Theater, etc.

Não depende dos monitores e sim da sua intepretação do que está acontecendo na música.

Monitores

Mito da Qualidade dos Timbres do Sintetizador:

O som do Virus é groundbreaking! O som do Bactéria é top! O som do protozoário? Nem se fala!

Claro! São timbres lindos, ricos e vivos, o fato mais deprimente é que esse sons são feitos por profissionais do sound design então, o "músico" compra um sintetizador pra usar os presets dele... Não seria mais inteligente (e barato) baixar samples desses timbres? Porque diabos comprar um sintetizador de milhares de reais se o único botão que você vai mexer é o Filter-Cutoff, o Power e o Botão que troca os presets? Se compra um sintetizador caro, toma vergonha na cara, estuda e faz teus sons porque na verdade, os timbres do bicho são bonitos porque foram feitos por profissionais, a verdade é que o profissional é que sabe fazer bonito. Comprar o sintetizador vai te dar aquele som lindo, mas não vai fazer você ser um profissional melhor, não é animador?

Qualidade

Mito do Melhor Equipamento ou Programa:

Muitos perguntam qual é o melhor hardware/software, outros respondem e dizem que isso é melhor que aquilo mas a verdade é que melhor mesmo é o artista, cabe a você saber usar o que tem e desenvolver uma técnica para melhorar o som de acordo com seu padrão de estética. Tem até uma diferença bem interessante que vale a pena ressaltar, a diferença de aprender música e aprender software, eu percebi isso quando vi que eu conseguia fazer melhor num programa do que no outro, então refleti sobre isso, logo descobri que eu estava condicionado aos botões e visuais e não à música em si. Quando você aprende música, você aprende a vergar o que tem para contruir o que está na cabeça, quando você aprender software, você faz igual a receita de bolo: Primeiro você põe os kicks, depois vai entupindo de sonzinho até ficar "legal". O que tem que ser bom de verdade é o músico, não o programa.

Software

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¹ = Claro, muitas vezes ser motivo de piada dá dinheiro, vemos vários artistas que não fazem nada e estão ricos, mas o que ressalto no texto é que, particularmente, eu prefiro ganhar dinheiro e ser lenda do que ganhar dinheiro e ser o palhaço da vez.

² = Isso se encaixa bastante no comentário anterior, quem não já viu aqueles artistas que enchem o palco de dispositivos ultra-tecnológicos? Virus, NORD Lead 15, APC-3000, Não sei o que'zêitor! O problema é que na exibição inteira dos caras, eles dão apenas dois toques em dois botões da tralha inteira. Claro, pra o povão que não sabe de nada, ver LED's e LCD's piscando é sinônimo de qualidade, mas pra quem pensa um pouco sobre o que está acontecendo... A coisa muda completamente.

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